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SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

Gênero, sexualidades e espaço: perspectivas históricas e geográficas

Patrícia Helena Milani (UFMS/CPTL)

As perspectivas feministas e das sexualidades têm contribuído para uma renovação teórico-metodológica das ciências sociais, ao incorporar gênero, sexualidades, etnicidades e racialidades como dimensões fundamentais da produção do espaço. Esse movimento acompanha transformações históricas marcadas pelas lutas sociais, pela denúncia das desigualdades e pela reivindicação de reconhecimento e direitos, questionando perspectivas que tomavam o espaço como neutro e universal. Nesse percurso, o espaço passa a ser compreendido como produto e condição das relações de poder, produzido e experienciado de maneira diferenciada por sujeitos e corpos situados historicamente. Este Simpósio Temático propõe discutir essas contribuições no âmbito da Geografia e da História, considerando as relações entre gênero, sexualidades, racialidades e classe na produção do espaço. Interessa-nos reúne pesquisas sobre corporeidades, gênero, sexualidades, mobilidade, trabalho e cuidado, acesso a bens e serviços, violência, territorialidades, sociabilidades, práticas cotidianas, políticas públicas e formas de (re)existência. Buscamos compreender como normas sociais, instituições e dinâmicas espaciais, historicamente construídas, produções desiguais, mas também como assuntos historicamente marginalizados — especialmente mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+ — elaboramos estratégias de existência, disputam territórios e reivindicam reconhecimento e direito à cidade. Ao articular história, espaço, corpo e relações de poder, o simpósio pretende contribuir para o avanço das discussões e para a compreensão das desigualdades e das disputas pela produção de espaços mais justos.

História, Educação e Sociedade: Novas Fontes, Abordagens Plurais e Sujeitos Marginalizados

José Eduardo Rodrigues da Silva (UFMS/CPTL) e Mona Mares Lopes da Costa Bento (UEMS)

O presente Simpósio Temático busca aproximar-se da História e da Pedagogia, consolidando-se como um espaço profícuo para compensar tanto as metodologias do ensino de História quanto o fazer educativo em sua totalidade. Nesse sentido, acolhemos trabalhos que articulam elementos historiográficos para propor novas perspectivas sobre fontes de análise e práticas pedagógicas. O objetivo é tensionar e discutir propostas que rompam com estruturas hegemônicas que protegem assuntos historicamente marginalizados a meras notas de rodapé acadêmicas, alçando-os a categorias centrais de análise: mulheres, discutidas de gênero, teorias queer, movimentos sociais, pessoas com deficiência e o movimento negro. Busca-se, assim, construir horizontes emancipatórios para a Educação e para o ensino de História, da formação docente às práticas em sala de aula, pautadas pela ruptura e pela pluralidade.

História, Literatura, Ensino e Infâncias

Ronaldo Cardoso Alves (UNESP/Assis); Vivianny Bessão de Assis (UFMS/CPTL); Dennis Rodrigo Damasceno Fernandes (UNESP/Assis)

Este Simpósio Temático tem por objetivo reunir pesquisas, concluídas ou em desenvolvimento, que problematizam as relações entre História, Literatura e Ensino, considerando suas contribuições para a produção de conhecimentos, narrativas, memórias e experiências educativas em diferentes etapas da escolarização. A proposta compreende estudantes de idades distintas, como assuntos históricos e culturais, capazes de interpretar, reelaborar e compreender sentidos às narrativas sobre o passado e às experiências sociais do presente. Serão coletadas pesquisas que discutem as aproximações entre conhecimento histórico e literatura, incluindo literatura infantil e juvenil, narrativas históricas, memória, e práticas de leitura, livros e materiais didáticos, currículo, cultura escolar e aprendizagem histórica. O simpósio pretende promover um diálogo interdisciplinar entre pesquisadores, docentes e estudantes interessados em compreender como História e Literatura podem contribuir para práticas de ensino mais significativas, críticas e socialmente situadas. Busca-se discutir os modos pelos quais diferentes sujeitos se apropriam, interpretam e ressignificam narrativas, imagens, personagens e acontecimentos e suas relações como o tempo e temporalidades. Dessa forma, a proposta visa ampliar as reflexões sobre o ensino de História e de Literatura em diferentes níveis e contextos educacionais, valorizando a pluralidade de experiências, narrativas e assuntos, bem como as possibilidades de construção de práticas pedagógicas comprometidas com as leituras de mundo e com a formação histórica.

Poderes, territórios e movimentos sociais: experiências históricas na formação do Brasil

Bruno Cezar Bio Augusto de Pace (UFMS/CPTL)

Apresentação Esta proposta faz parte do entendimento de que a formação histórica do Brasil deve ser comprovada como um processo atravessado por permanências, transformações, conflitos e negociações que conectam o período colonial, o Império e a República. A construção e a contestação das instituições políticas, das redes locais de poder e das posições sociais envolveram a escravidão e a pós-abolição, as disputas pela terra e pelo território, as populações indígenas, as relações de trabalho, as experiências de liberdade e cidadania e, ao longo do século XX, a emergência e a atuação de movimentos sociais organizados. Ao reunir pesquisas sobre diferentes temporalidades, espaços e assuntos, o simpósio pretende discutir tanto os mecanismos de dominação quanto as formas coletivas de mobilização, resistência e luta por direitos na sociedade brasileira. Objetivo – Estimular a elaboração de problemas de pesquisa relacionados à História do Brasil, do período colonial ao século XX; – Compreender a formação e as transformações do Estado brasileiro como processos históricos marcados por conflitos, negociações e participação social; – Relacionar poderes, territórios e instituições às experiências de diferentes grupos sociais e aos movimentos coletivos de luta pela liberdade, cidadania e direitos; – Desenvolver a capacidade de utilizar fontes históricas na construção de argumentos; – Exercitar a apresentação oral e o debate acadêmico; Eixos temáticos As propostas poderão abordar diferentes períodos da História do Brasil e deverão ser escritas em um dos seguintes eixos: Eixo 01 – Poderes, territórios e experiências sociais: da Colônia ao Império O eixo reúne trabalhos sobre a sociedade colonial, a crise do Antigo Regime português, a Independência e a formação do Estado imperial brasileiro. Contempla as relações entre instituições, províncias, fronteiras e poderes locais, bem como as disputas pela terra e pelo território, a escravidão, as populações indígenas e as experiências de liberdade, trabalho, cidadania e participação política. Eixo 02 – República e movimentos sociais: trabalho, territórios e lutas por direitos no século XX O eixo reúne pesquisas sobre as transformações políticas, econômicas e sociais da República e sobre as diferentes formas de organização coletiva, protesto e participação política ao longo do século XX. Interessa discute as relações dos movimentos sociais com o Estado, os partidos, as igrejas, os sindicatos e os meios de comunicação, assim como suas lutas por terra, trabalho, reconhecimento, democracia, cidadania e direitos.

Saberes e práticas do e sobre o mundo antigo: cultura, poder e experiências históricas

Dolores Puga (UFMS/CPTL) e Leandro Hecko (UFMS/CPTL)

Este Simpósio Temático propõe reuniões de pesquisas dedicadas às múltiplas formas de produção, circulação e apropriação de saberes e práticas culturais nas sociedades antigas. Compreendendo o mundo antigo como um espaço marcado pela diversidade de experiências históricas, relações de poder, formas de sociabilidade e processos de construção simbólica, o simpósio acolheu trabalhos que investigam diferentes sociedades, temporalidades e conjuntos documentais da antiguidade. Pretende-se favorecer o diálogo entre pesquisas voltadas às práticas religiosas, políticas, educativas, artísticas, literárias, jurídicas, econômicas e cotidianas, bem como às formas de representação, construção de identidades, memória, gênero, corpo, performances, rituais, conflitos e relações sociais. Serão igualmente bem-vindas sobre material cultural, imagens, literatura, epigrafia, numismática, historiografia e demais fontes mobilizadas para o estudo das sociedades antigas. O simpósio também busca estimular a discussão teórico-metodológica sobre as possibilidades de interpretação da antiguidade, considerando a historicidade das fontes, os processos de produção do conhecimento histórico e as relações entre práticas culturais, discursos e formas de poder. Dessa maneira, pretendo constituir um espaço de interlocução entre pesquisadores em diferentes etapas de formação, promovendo debates sobre uma pluralidade de saberes, práticas e experiências que caracterizaram as sociedades do mundo antigo e sobre os modos pelos quais elas podem ser investigadas pela historiografia contemporânea.

Sobre o ofício do Historiador: fontes, metodologias e experiências de pesquisa e ensino

Henry Marcelo Martins da Silva (UFMS/CPTL) e Luiz Carlos Bento (UFMS/CPTL)

O Simpósio Temático intitulado “Sobre o ofício do Historiador: Fontes, metodologias e experiências de Pesquisa e Ensino” tem por objetivo reunir pesquisadores e pesquisadores para refletir sobre as diferentes abordagens teórico-metodológicas que envolvem a escrita da História e as práticas de ensino da disciplina na contemporaneidade. Sabe-se que nas últimas décadas, num contexto de renovação de temáticas e metodologias, o historiador vem alargando o espectro de fontes com os quais pode propor e desenvolver suas pesquisas, análises e reflexões; além disso, em uma realidade marcada pela grande produção e circulação de informações falsas e revisionismos históricos, destaca-se a responsabilidade de historiadores e professores, que redimensionaram sua atuação, em diferentes espaços sociais. Nesse sentido, a realização deste simpósio visa a troca de ideias e experiências que perpassam as fronteiras do trabalho do historiador, as quais estão relacionadas a diferentes espaços de pesquisa e atuação profissional.

MINICURSOS

“Neutralidade” acadêmica: uma alternativa para quem escreve pesquisa?

Maria Fernanda Marialva Finazzi (UFMS/CPTL)

Utilizando o pensamento de Ribeiro (1999) em sua obra “Não há pior inimigo do conhecimento que a terra firme”, questiona a neutralidade acadêmica imposta aos alunos e pesquisadores das instituições públicas e privadas do Brasil ao fazer pesquisa, pensando nas perspectivas de referencial teórico como pilar sólido, escolhas metodológicas e do lugar de quem está escrito a pesquisa no país. Focamos em conscientizar os alunos de que a Ciência produzida vem de escolhas e atravessamentos pessoais do pesquisador, buscando entender como o corpo não é invisível ou “desinfetado” da pesquisa.

O desemparedamento do ensino de História: entre a sala de aula, os territórios e as experiências dos estudantes

Dennis Rodrigo Damasceno Fernandes (UNESP/Assis)

O presente minicurso propõe uma reflexão sobre possibilidades de “desemparedamento” do ensino de História, compreendido como movimento de ampliação dos espaços, sujeitos, fontes e experiências mobilizadas na construção do conhecimento histórico escolar. Partindo da compreensão de que ensinar História não se reduz à transmissão de conteúdos prescritos pelo currículo, o minicurso problematiza as relações entre conhecimento histórico, currículo, cultura escolar, memória, território e experiência dos estudantes. A proposta considera os desafios contemporâneos, impostos às escolas e aos professores diante das reformas curriculares, da padronização dos processos educativos, da centralidade das avaliações externas e da crescente entre educação e demandas do mundo do trabalho. Nesse contexto, busca-se discutir como o ensino de História pode preservar sua dimensão formativa e contribuir para que os estudantes desenvolvam instrumentos de interpretação crítica do tempo, das experiências sociais e dos problemas do presente. Ao longo do encontro, o minicurso será organizado em eixos articulados. Inicialmente, será pensado o significado de “desemparedar” o ensino de História, problematizando os limites de uma prática centrada exclusivamente na sala de aula, no currículo prescrito e na reprodução de conteúdos. Em seguida, serão abordadas as relações entre currículo, cultura escolar e conhecimento histórico, considerando as contribuições da História Cultural, da História do Currículo, da História das Disciplinas Escolares e da Educação Histórica. Por fim, serão discutidas possibilidades de construção de práticas de ensino que mobilizam diferentes fontes, espaços de memória, patrimônios, territórios, narrativas e experiências sociais como elementos constitutivos da aprendizagem histórica. A metodologia combinará exposição dialogada, análise de situações concretas do ensino de História, discussão coletiva de experiências escolares e proposição de possibilidades didáticas. A intenção é estabelecer um diálogo entre os fundamentos teóricos e os desafios encontrados pelos professores em sua prática cotidiana, considerando que o conhecimento histórico escolar se constitui na relação entre saberes acadêmicos, prescrições curriculares, cultura escolar, práticas docentes e experiências dos estudantes.